


Eu sou paranoico quando o assunto é você. Não posso te ver me olhando de canto, vindo me cumprimentar ou simplesmente olhando na minha direção — mesmo que não seja pra mim — que já começo a achar que você pode, de uma maneira ou de outra, sentir o mesmo por mim. Ou pior, começo a achar que podemos realmente dar certo. Cada gesto seu vai significar um mundo de coisas, vai me fazer pensar e achar milhares de dramas e exageros. E por essas e outras razões, eu tenho medo de criar expectativa demais, de acabar me iludindo mesmo que não haja nada. Mas se isso acontecer — ou estiver acontecendo — eu não vou poder evitar. É mais forte que eu… Gosto da forma como você acelera meu coração, e de quando você o acalma também.

É isso, sei lá, mas acho que amo você. Amo de todas as maneiras possíveis. Sem pressa, como se só saber que você existe já me bastasse. Sem peito, como se só existisse você no mundo e eu pudesse morrer sem o seu ar. Sem idade, porque a mesma vontade que eu tenho de te comer no banheiro eu tenho de passear de mãos dadas com você empurrando nossos bisnetos. E por fim te amo até sem amor, como se isso tudo fosse tão grande, tão grande, tão absurdo, que quase não é. Eu te amo de um jeito tão impossível que é como se eu nem te amasse. E aí eu desencano desse amor, de tanto que eu encano. Ninguém acredita na gente: nenhum cartomante, nenhum pai-de-santo, nenhuma terapeuta, nenhum parente, nenhum amigo, nenhum e-mail, nenhuma mensagem de texto, nenhum rastro, nenhuma reza, nenhuma fofoca e, principalmente (ou infelizmente): nem você. Mas eu te amo também do jeito mais óbvio de todos: eu te amo burra. Estúpida. Cega. E eu acredito na gente. Eu acredito que ainda vou voltar a pisar naqueles cocôs da sua rua, naquelas pocinhas da sua rua, naquelas florzinhas amarelas da sua rua, naquele cheiro de família bacana e limpinha da sua rua. Como eu queria dobrar aquela esquininha com você, de mãos dadas com os pêlos penteados de lado da sua mão. Outro dia me peguei pensando que entre dobrar aquela esquininha da sua rua e ganhar na mega-sena acumulada, eu preferia a esquininha. A esquininha que você dobrou quando saiu da casa dos seus pais, a esquininha que você dobrou chorando, porque é mesmo o cúmulo alguém não te amar. A esquininha que você dobrou a vida inteira, indo para a faculdade, para a casa dos seus amigos, para a praia. Eu amo a sua esquininha, eu amo a sua vida e eu amo tudo o que é seu. Amo você, mesmo sem você me amar. Amo seus rompantes em me devorar com os olhos e amo o nada que sempre vem depois disso. Amo seu nada, apenas porque o seu nada também é seu. Amo tanto, tanto, tanto, que te deixo em paz. Deixo você se virando sozinho, se dobrando sozinho. Virando e dobrando a sua esquininha. Afinal, por ela você também passou quando não me quis mais, quando não quis mais a minha mão pequena querendo ser embalsamada eternamente ao seu lado.

Vem cá que eu preciso te contar que ando sentindo essas coisas que a gente lê em poesia. Ando falando de amor pela rua, cantando na cozinha e assobiando no chuveiro. Ando entregue. Ando andando meio sem rumo, e quando vejo tou na porta da tua casa. Ando sem pressa porque teu amor chega tarde, sempre depois das onze. Ando sentindo coisas demais. E me ocupando de coisas de menos, que tu anda me consumindo os pensamentos e eu fico sem fazer mais nada. Ando achando graça em música brega e tou gostando mais de São Paulo. Tem mais poesia até no caminho do ônibus, quando o celular toca e você reclama a saudade. Adoro quando você reclama a saudade. Com aquela voz morna de quem quer mas não pode. Ando tropeçando nos sorrisos e nos soluços. Que chorar de amor, é parte desse negócio de ser feliz a dois. E a gente é feliz feito dois bobos. Como se o mundo lá fora andasse calmo e sereno e a Paulista parasse inteira só porque a gente esquece de olhar pros dois lados. A gente é feliz pra caralho. Sem medida assim… Porque medida é racional. É multiplicar, dividir… E num tamo podendo fazer conta. Vem cá, que tou precisando te dizer sobre tudo isso. Porque se eu num falo, nem eu acredito. Ando escrevendo essas coisas todas melosas, ando gargalhando a toa. E tenho rasgado folha de caderno porque escrevo demais e fico repetindo. Quando vejo, tou contando a mesma história. É que nossa história, puta que pariu, dava um livro. Ando assim… Colocando minha felicidade nos teus braços, ali onde encaixo a cabeça e fico deixando teu cheiro pegar na minha roupa. Ando achando tudo mais bonito. E ando errando feio. Mas errar é parte dessa coisa. Isso de andar amando.
Cara… Se você gosta dela mesmo, não magoa. Abraça forte e cuida. Ela é especial, é linda do jeito dela, e cara, te juro que de um jeito ou de outro, mesmo com os surtos, os choros, os momentos loucos dela, ela vai te fazer feliz. Segura ela, cara. Pega na mão dela, dá um beijo no rosto, um cafuné pra ela dormir. Cuida dela direito. Não faz ela sofrer. Mostra pra ela que você vai cuidar dela independente do que aconteça, mostra pra ela que ela é única pra você, que você ama ela mesmo, porque ela é toda assim, insegura. Ela pensa que vai te perder porque ela já perdeu muita gente que ela amava. Já vi um cara partir o coração dela, e cara, vai por mim… Você não vai querer ver isso. Principalmente não vai querer ser o motivo de ver ela sofrer. Ela gosta muito de você. Ela não precisou nem me falar, eu simplesmente consigo ver isso no rostinho dela. Dá pra ver como os olhos dela brilham quando ela te vê, como ela se ilumina toda quando você tá por perto. Então, se tu gosta mesmo dela… Abraça, segura forte, cuida, não deixa ela escapar, não magoa ela, não faz ela chorar por sua causa, não perca ela. Vai por mim. Se você perder ela, não vai conseguir recuperar de volta. Por mais que ela dessas do tipo carente, insegura e muito apaixonada, ela não é de segundas chances, e aí você vai perceber que perdeu a única coisa boa da sua vida

A verdade é que ela só quer alguém que se importe, alguém que insista, alguém que mostre a ela que vale a pena. Eu sei que você atravessaria o oceano pacifico a nado por ela, ou talvez escalaria o Everest todos os dias da semana com roupa de banho, e creio que ela também sabe disso, mas depois de tantas decepções, ela ainda sente medo. Não que ela duvide de você, só que há sempre aquela perguntinha – “Por que você faria isso por mim, sendo que várias pessoas que já passaram na minha vida nunca fizeram?” – que ficará martelando em sua cabeça e a faça esquivar. Só que você vai mostrar que é diferente e não vai desistir, e ela, bem, ela nunca vai entender que existam pessoas que também valem a pena, mas de algum modo, ela vai querer que você fique.